Arquivos | março, 2011

meet me in montauk*

28 mar

* Or do whatever you want

 

 

para meu Big Fish

14 mar

na manhã desta segunda assisti novamente Peixe Grande (Big Fish, do Tim Burton).

eu sempre me emociono com esse filme. a vida de Edward Bloom e suas histórias. e também da relação com seu filho que, depois de crescido, não acredita mais nas fantásticas situações que seu pai lhe contou que viveu.

a emoção me vem porque me lembro de meu pai. que tem até alguma semelhança física com o ator que faz o Ed Bloom mais velho, apesar de meu pai ser bem mais novo, mesmo sendo já um avô.

a verdade é que devo muito ao meu pai. e não sei se alguma vez lhe disse isso.

sabe, nossa vida não foi fácil. talvez no começo houve mais prosperidade. mas, de certa forma, acabamos vitimados por essa sociedade egoísta. feita de pessoas egoístas.

meu pai, que é o primeiro Obede, porque sou júnior e este nosso nome é qualquer coisa de sensacional, sempre foi uma pessoa boa.

sempre foi uma pessoa que pensava nas outras pessoas. sempre foi, e ainda é, alguém que ajuda outras pessoas.

meu pai sempre acreditou na boa fé das pessoas.

e hoje ele crê que isso foi seu maior erro.

e não é verdade. o erro foi dessas pessoas que magoaram, traíram e tripudiaram de alguém que só lhes quis ajudar, de alguém que sempre ofereceu seu melhor trabalho, de alguém que fazia as coisas acontecer.

hoje, depois do filme, pensei em várias situações com meu pai.

lembrei de um aniversário que fomos, de um amiguinho da minha irmã, éramos pequenos e ficamos brincando de gincanas no McDonalds.

nos divertimos à beça, e quando as gincanas acabaram, eu e meu irmão fomos ficar perto de nossos pais, porque não conhecíamos os amigos da minha irmã. e meu pai me disse:

” – agora vai lá e fala pra eles: oi, meu nome é junior, qual o de vocês?”

e eu me lembro que senti que não ia fazer aquilo. ia passar vergonha. na época nem sabia o que era alguma coisa ser piegas, mas se soubesse, acharia isso. mas no fundo não era. era só uma tendência de complicar as coisas que foi nascendo em mim. não podia ser tão fácil criar novas amizades!

e meu pai não falou isso porque é o que reza na cartilha de bons pais. ele falou isso porque ele é assim. ele é gentil, ele não tem vergonha disso. e eu deveria ter seguido seu conselho, não pq eram crianças espetaculares os amiguinhos da minha irmã, mas sim porque era um excelente conselho.

e lembrar disso me fez perceber ainda mais claramente como meu pai é.

lembrei também dos momentos difíceis que se seguiram, de falta de dinheiro, de estresse, de brigas sem motivo.

lembrei do dia em que não tínhamos o que jantar, e meu pai fez algo que parecia cebola frita empanada. e era só aquilo que tínhamos. e ele estava triste por isso. e nós também.

lembro que no meio dessa pindaíba toda, ele levou seus filhos palmeirenses e um amiguinho são paulino para irem ao Palestra Itália pela primeira vez. porque ele nos ensinou a amar o Palmeiras. e mesmo sem dinheiro, ele deu um jeito.

chegando lá, eu e meu irmão estávamos cheios de expectativa e eu ouvi ele discutindo com o cara da bilheteria que não queria vender meia entradas para crianças! e ele contava o dinheiro, e depois nos olhou, estávamos um pouco distantes, eu o vi com o brilho nos olhos, querendo entrar logo. e eu sabia que ele estava bravo com o insensível do bilheteiro que não via um pai com dificuldades que só queria levar os filhos ao estádio pela primeira vez.

e mesmo assim nós entramos. e vencemos o jogo. e foi divertido. foi mágico.

mas passamos por isso. porque meu pai sempre trabalhou de alguma forma. sempre dava um jeito de não nos faltar o essencial.

chegou a trabalhar como pedreiro na casa de meus tios para ganhar uma grana. vender produtos. era sempre um sonho novo, um sonho em que ele acreditava. era um sonho que queria que sonhássemos com ele, porque seria a nossa redenção. seria o fim do sufoco. o de pagar uma conta esse mês, e outra não.

e ainda, no meio disso tudo, dessa dificuldade toda, ele tinha que lidar com três adolescentes, tinha que criá-los.

e o fez muito bem.

"that is the history of my life"

e hoje, vendo o filho de Ed Bloom carregando o pai de volta ao rio, vivendo a história de seu pai, pensei no meu. pensei nas coisas difíceis que ele passou, nas lutas que ainda seguem, e vejo como  sua fé em Deus e seu bom coração nunca o deixaram desistir da gente. tenho a certeza que ele sempre fez tudo que podia para nos fazer feliz. e isso já é muito suficiente.

hoje, passando por meus momentos difíceis, e com vontade de jogar tudo pro alto, enxergo mais do que nunca o valor de ter um bom pai. e nem é aniversário dele, e nem dia dos pais, mas ele merece essa homenagem/declaração de amor, que poderia ter outras tantas mil histórias, só por existir e vai ganhar um abraço e um beijo de seu filho que passa mais tempo fora de casa que qualquer outra coisa.

ele talvez nunca chegue a ler isso, mas não deixo de ter vontade de lhe dizer esse eu te amo mais extenso.

e também um: obrigado, pai.

egoísmo e burrice no futebol brasileiro

11 mar

este post visa falar de futebol. futebol e tv.

as tramóias que envolvem CBF e Globo já vem de longos anos. com preferências obscuras e carícias públicas ou não de ambos os lados.

pra quem não sabe, a Globo, com permissão da CBF, que odeia futebol, existe para gerenciar contratos publicitários da Seleção, domina o futebol nacional desde que o mundo é mundo praticamente.

no entanto, em uma medida corajosa e óbvia, o CADE, que fiscaliza abusos de poder econômico, dentre eles monopólio, cartel, essas coisas, decidiu pelo fim da preferência Globística e instituiu uma nova forma de licitação, mais justa com todas as redes que quiserem televisionar o esporte bretão.

o Clube dos 13, que reúne os 20 (!) maiores clubes do País, e que vem negociando os valores de direito de transmissão do futebol nacional desde praticamente sua criação, seguindo as indicações do CADE, lançou edital em que deixava claro que a proposta maior, nos termos financeiros, e que cumprisse o quesito técnico, envolvendo qualidade de transmissão e afins, venceria. seriam abertos hoje envelopes das redes transmissoras interessadas. o papelzin com o maior valor venceria e a empresa seria responsável pela transmissão da série A de 2012 a 2014.

começam as tramóias

vendo sua hegemonia e bolso ameaçadas, a globo não fez outra coisa que não desmerecer essa nova licitação. só para se ter uma noção, a Globo pagou pouco mais de 500 milhões de reais pelos direitos do triênio que termina em 2011. a nova licitação estimava que as propostas iniciais teriam que ser acima de 500 milhões. C13 acreditava receber até mesmo o dobro, cerca de 1 bilhão de reais por temporada só em transmissão de TV aberta. corria a boca pequena que a Record, grande rival da Globo, estaria disposta a pagar tudo isso.

foi quando começou o jogo político de merda.

Globo e CBF ameaçando clubes do C13, cobrando favores, jogando sujo, e possivelmente fazendo promessas por fora. a Globo se retirou da licitação e disse que iria negociar a parte com cada clube individualmente. com isso, clubes de merda, como Corinthians, Flamengo e meu Palmeiras, se sujeitaram a Globo e afirmaram que não aceitariam a negociação do C13 em seus nomes. mis da metade do Clube dos 13 fez isso também. afirmaram que conseguiriam mais sozinhos, do que juntos.

porra, NUNCA!

ali no papel, no texto jurídico, o C13 ainda responde por todos esses clubes chamados “dissidentes”, ou seja, cheguei a pensar que a Globo poderia ter dado um tiro no pé deixando de participar da licitação.

mas sua rival, é ainda mais burra que os clubes, pelo menos nessa minha análise em cima dos fatos.

resultado da licitação

hoje pela manhã, no dia da revelação das propostas, a Record também saiu da disputa. alegando cartas marcadas e que o suposto esvaziamento do c13 prejudicaria e blábláblá. deu que a Rede TV, única a fazer proposta, venceu a licitação por módicos 516 milhões de reais. sendo que a própria emissora divulgou que estava disposta a pagar até 700 milhões!!

agora, pensa comigo, chega a Record, e faz mesmo uma proposta de 1 bilhão de reais! ou que seja de 900 milhões, 800.. ou seja, bem maior que a Globo pagaria, a pressão nos clubes dissidentes seria monstra.

a saída da Record da disputa só pode significar duas coisas:

1) são um bando de ingênuos burros que cairam no jogo da Globo, ou

2) não queriam porra de futebol nenhum, era mais pra causar e tentar bater a Globo de alguma forma.

agora eu me pergunto o que esses clubes, principalmente os do Rio, falidos até o cu, pensam quando se aliam a Globo? acham meesmo que a empresa que não mostra os patrocinadores dos clubes/atletas em entrevistas está mesmo pensando o futebol brasileiro como um produto? acham mesmo que vão ganhar sozinhos o que poderiam ganhar juntos? tipo, meeeesmo?

a Globo está preocupada única e exclusivamente com seus lucros (e isso não me importaria se ela não fosse hipócrita em suas notas oficiais). tanto que só passa jogo dos times de mais audiência. isso não é se preocupar com o produto, se você insiste em passar apenas uma parte dele.

o futebol brasileiro tem na sua competitividade e em seus vários grandes clubes uma mina de ouro. mas prefere partir para o egoísmo, no cada um por si, e se esquecem que juntos TODOS podem ser mais fortes.

na minha opinião, o futebol pode passar até na TV Cultura, se os valores forem maiores e se, principalmente, os horários de jogos não forem obcenos como os 21h50 e 22h.

eu quero ir ao estádio em um horário decente e que meu clube receba o que for justo. porque a Globo lucra e muito com o futebol, e não é a Globo que o valoriza, é o futebol que valoriza a Globo.

mas é difícil entender isso. assim como é difícil ser torcedor nesse País.

 

sobre os fins

3 mar

Bye, Doc

cheguei tarde em casa ontem. comi algo e fui ver TV. para minha alegria a globo passava o último episódio de Lost. o último dos últimos. tava dublado? taca um SAP e foda-se, vamo ser feliz.

ou ser triste.

estranhamente, comecei a assistir Lost na globo, lembro claramente de assistir o piloto com meu irmão, na madruga, e pensar, “mano, preciso ver o próximo”. e foi assim por seis temporadas e mais de cem episódios.

esse post nem é pra falar sobre Lost, porque meu, o timming seria horrível. mas sim sobre fins. fim. finito.

eu gostei do final lostístico. achei espetacular. comovente, engraçado e educativo. como terminar algo bom de forma boa é algo reconfortante.

seria um incômodo ver algo muito bom terminar de forma masomeno. creio que seria a sensação inversamente proporcional a algo ruim terminando de forma boa. juuura?

a verdade é todo fim traz tristeza e vazio. mas quando ele é feito de forma maestral, não deixando espaço para arrependimentos, ele nos agrada.

e acabamos por não pensar mais nele. talvez um certo saudosismo gostoso daquela coisa LINDA que não terá mais novidades para você. mas nem faz mal, eu vivi aquilo no seu total, uhu, toca jogar bola.

o engraçado e que, de olhos marejos, após Jack fechar seus olhos pela última vez eu pensei nos fins que passamos na vida. e são tantos!

sometimes "we have to go back" to move forward, né Jack?

seja de coisas como séries terminando, bandas acabando, amigos se afastando, passando por namoros malfadados e parentes sendo levados.

no fim, acaba sendo um fim atrás do outro. uns demoram a acontecer, outros acontecem antes mesmo do início sair de cena.

e isso é cansativo, principalmente se durante nossa vida não vamos criando outras histórias para compensar.

mas também tem aquelas que não temos coragem de terminar, aquelas que não conseguimos terminar. essas são as piores. são como boas séries interrompidas no meio de um episódio. ou então como se “Vampire Diaries” passasse todos os dias, bem no lugar de Chaves e Friends! pensem!

mas pra não dizer que sou só cinzas. eis algumas flores!

ficou perceptível para minha pessoa que sendo tantos os fins em nossas vidas, é mais que natural que a maioria deles possa ter seu roteiro escrito por nós mesmos. podemos finalizar do jeito que gostamos.

não é fácil. o fim de uma história é sua parte mais importante. exige coragem e criatividade. duas qualidades em falta no mundo.

não estou incentivando ninguém a finalizar nada. eu mesmo não farei isso. a ideia deste post é trazer, principalmente a quem vos escreve, uma consciência de mudança. mudar o meio, para que o fim seja excelente.

afinal, nem todo fim precisa ser triste ou significar vazio. ele pode ser feliz, emocionante e duradouro. até que chegue o fim a que todos estão fadados!

fim!

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