acho que nenhum grito meu em estádio tenha sido mais verdadeiro que o que diz assim:
“PUTA QUE O PARIU, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL, MARCOS!”
e quantas vez gritei com orgulho. quantos jogos fui acalmado pela simples presença do camisa número 12.
meu ídolo. nos jogos eu costumeiramente o observava enquanto atacávamos. e como ele sofria com um gol perdido, só sofria mais quando ele tomava o gol. e aquilo me fascinava. era realmente um dos nossos em campo. raridade nesse maldito futebol moderno.
talvez por isso eu sinta tanto sua saída do Palmeiras, do futebol, da nossa vida. acabou-se o futebol. São Marcos era o último.
o último verdadeiro ídolo de carne e osso. daqueles que erram e não negam. daqueles que falam o que pensam e que na hora do jogo sabe que nada mais importa que a vitória, nada de pensar em marketing, imagem e os caralho que viraram o câncer do calcio.
são tantas as defesas, as jogadas, as tiradas, as piadas, as dores, que doíam em nós também. como era duro ler a notícia de mais uma contusão, de mais um jogo sem ele. imagina como vai ser agora que vai ser nunca mais?
a notícia era esperada, mesmo assim foi como um soco na cara. uma injeção de tristeza direto no coração. não há outro ídolo maior. não há outro nome que eu faço questão de colocar em meu filho.
senti orgulho dele tantas vezes. mas a última alegria, e talvez a última que o Palmeiras tenha de fato me concedido, aconteceu em um jogo monstruoso de nosso Santo na pseudo-temida Ilha do Retiro. Oitavas de final de Libertadores de 2009. Marcos pegou tudo durante o jogo, ao menos tudo que era possível e algumas impossíveis. E vieram os pênaltis. E aos 36 anos Marcos defendeu, pela primeira vez na sua gloriosa carreira, três pênaltis. E correu para a torcida, e o registro é lindo:
essa fica como a despedida de São Marcos. um ídolo exemplo e, acima de tudo, incomparável. o futebol muda agora. pelo menos pra mim. dia 14 estarei em sua procissão. São Marcos Eterno!
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