após quick posts. post decente (tsc)
acontece que quinta passada, quem passou mal fui eu. e muito mal. como não é necessário saber as doenças, aviso, foi caganeira a noite toda. uma loucura! pois bem, meu estômago que já era de papel, ficou de papelíssimo, reciclado ainda por cima. cheiros e pensamentos me enjoavam, sem contar o fato de ficar deitado a quinta inteira me gerar uma baita dor nas costas.
faltei no trabalho, perdi o dia e nada de melhorar. deu que a camila, minha editora, me liga falando se eu estava bem e se poderia ir numa pauta em diadema na sexta pela manhã. bom, sei que é foda no jornal, não tem ninguém e precisamos inventar pautas pra fechar o caderno, falei que ia pra não deixar ninguém na mão.
sexta não acordei pior, mas também não acordei melhor. sem comer direito, sentia enjoôs e falta de disposição, maior do que a costumeira que a labuta me gera.
a pauta era sobre uma comitiva francesa que falaria com o prefeito de diadema sobre a continuação do intercâmbio entre a cidade francesa de montreuil e la citè diadheme! deu que o evento não era pra imprensa (¬¬), e era no gabinete do sr. reali, xerife da cidade do abc. ficamos eu e adonis esperando, o quê a gente não sabia, mas a assessoria garantiu que ia conseguir algo pra gente, uma palavrinha rápida. adonis deu sorte e foi chamado primeiro para algumas fotos. e eu fiquei sentado em um sofá de couro preto, que escorregava e torcia minha coluna já prejudicada.
sabe aqueles sofás em que qualquer respiro gera um atrito que gera um som parecido com uma flatulência semi-grave? deu que minha coluna estava gritando, e eu me mexia constantemente, gerando atritos absurdos e sons que fariam imaginar a maior caguinância da história de diadema. a situação fedia. a sorte é que era tudo sonoplastia, meu estômago deu trégua.
mas não por muito tempo.
após horas infernado em uma salinha de espera com uma secretária respondendo emails e outra mulher, que podia muito bem ser quarto zagueiro do glorioso Mauaense, em um calor diadêmico, porque a cidade fica em um vale e cozinha sua população, eu fui chamado para algumas perguntas.
me levanto e a desgraça se anuncia.
o estômago acorda e chora. chora alto. pede colo dando cambalhotas. a situação fica tensa e eu suo frio. sinto mariposas bêbadas na barriga. olho para o sorriso amarelo da assessora, dou um passo e sigo.
pausa na história para uns parentêses. não sabia nada da pauta. não achei o release (que estava obviamente no site da prefeitura). não sabia o que perguntar. sei male male falar português, quanto menos francês. arriscaria meu inglês, que parece me garantir, na minha cabeça, mas a vida real é mais trágica.
voltando. conforme ando a situação vai piorando. pareço ter uma criança, ou melhor, um filhote de mico com urtigas na barriga. tudo me enoja, andar, respirar, olhar o sorriso amarelo da assessora e a porta do gabinete. ia pedir arrego, senão eu vomitaria, literalmente, no gabinete do prefeito de diadema. suícidio jornalístico-regional. certeza.
entro no gabinete e engulo seco. o coração dispara, mas o milagre vem. uma cadeira. sento logo e as coisas se acalmam. o prefeito pergunta meu nome, não entende, obviamente, mas eu nem me importo. ele fala, fala, faaala, e eu não entendo lhufas. aí vem a hora do representante francês, jean marc au revoir, sei lá, e ele fala em português. olha que bom. azar o dele que eu quase pus minha bílis pra fora e não vejo a hora de ir embora. muito blá pra lá e outras risadas de piadas franco-diadêmicas pra cá, o tempo passa e eu ainda faço perguntas tipo:
“qual a importância do intercâmbio para as duas cidades?” (básica)
“o que a frança aprendeu com diadema, e vice-versa?” (essa bem filosófica)
acabou. cumprimentei a todos, que agradeceram minha presença e minha educação por não jorrar vômito em seus ternos franceses e made in taubaté. voltei pra redação e “escrevi” a matéria chupinhando o release. (camila, se você ler isso, é brincadeira tá, um floreio para ilustrar o post! juuuro!) e fui pra casa.
na sexta mesmo sai a matéria pela assessoria de diadema, ela nos manda por email. e olha o jornalista famoso que aparece. aliás, o único jornalista presente:

a fama é para poucos!
la fame is priceless!

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