ressignificar

o processo inicial é basicamente nosso modo padrão de viver. a gente conhece, a gente vê, a gente sente, a gente vive e a gente define. seja pro bem ou pro mal. é quase instinto, e esse meu quase saiu só pela necessidade de não cravar nada que não seja 100% preciso.

o processo seguinte é mais difícil. uma vez tatuada essa impressão em nossa cabeça, essa definição mental de sentimento ou de ação, é complicado, tal qual o desenho real na pele, de se remover. a diferença é que a tecnologia facilita mais para o exterior. a pele muda, a cabeça, não.

pelo menos não com a velocidade que se faz necessária. mas não é bom ter convicções? claro. mas melhor ainda é estar em paz sem ser escravo de sua teimosia. do seu desejo. do nosso desejo. liberdade pra mim é isso. é poder mudar. é ressignificar.

dar um novo sentido é mais forte que apenas substituí-lo. um exemplo corriqueiro mas que parece certeiro: “não gosto mais dessa camisa azul, vou vestir a vermelha.” isso é substituir. “não gosto mais dessa camisa azul. e se eu recortar as mangas? colocar um bolso de outra cor? talvez um cachecol verde-marinho deixe um ar sofisticado”. isso é ressignificar.

(se não fizer sentido, alguém dá um grito. salvo sua presença esteja próxima, eu não irei ouvir, mas posso sentir de longe. acredite. ainda mais se o grito vier nos comentários.)

um amor inabalável e interminável, de uma década, vira uma sensação de ser papel direto na felicidade diária e futura. coisa boa. uma amizade que parecia vital, vira uma saudade que explica como é possível estar longe e ainda assim amar alguém. uma família quebrada, que parecia se colar sem conversar só para evitar o pior e hoje se encontra tão separada quanto o coração pode aguentar. a carreira que parecia planejada para entediar e enriquecer (com sorte!) e virou a busca por um ambiente de vivência com sentido, que me pague em tempo, esse bem tão precioso. uma crença que lhe tirava o sono na perseguição da culpa foi repelida por não me querer e reencontrada nos detalhes de quem viveu como você. amém.

e não é que essas ressignificações sejam coisas boas ou ruins. apenas diferentes das que existiam para que a gente lide melhor. ou você acompanha o desenvolvimento, a evolução, ou fica para trás. para as coisas boas, o desfrute é qualificado, e a gente não tem tempo a perder, muito menos amor para desperdiçar. ele está em falta.

para as coisas ruins, se há interesse em solucionar, outra visão é parte do que pode ser feito. ou então, vamos no provérbio chinês: o que não tem solução, solucionado está.

hoje penso nas coisas que não são mais. o saldo é positivo, porque preciso materializar a estatística apesar de imensurável. penso também nas coisas que ainda preciso ressignificar. as pequenas e as grandes. principalmente as grandes. e aceitar que tudo muda todo dia toda hora acalma.

talvez seja isso a paz de espírito.

talvez não.

não preciso estar certo. só feliz com as decisões que vou tomar.

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dois em um

e com o passar das palavras e dias uma divisão se criou.

divisão que é soma, porque o dois é o um duplicado. o um, como se espera da ordem, veio antes, natural, nascido da intenção perene e tranquila de se fazer notar e notar o outro também. o um sempre dá seu melhor, é só assim que ele saber ser. mas desta feita ele caprichou e o reflexo era impossível de ignorar. logo o um virou dois. dois que é a soma de dois uns. uma força incomum. se o um cuida e não mede esforços, o dois faz isso em um outro patamar de entrega.

dois e um viviam em comunhão, dois em um.

mas com o passar das palavras e dias uma divisão se criou.

impedido de existir como um só, o dois se separou. mas não deixou de ser. e se confunde com o um. e se estranharam. porque o um tudo entende, o um tudo espera, o um tudo aceita, o um gosta de ser um. sabe que se o dois se for, vai continuar a existir. existe um sem dois, mas não dois sem um. e o dois chora e se irrita, e se frustra, e se sente ameaçado. o dois sabe que vai morrer. o um também sabe e resta a ele se enlutar pelo companheiro. sentir sua falta e inspiração e rezar para que outro dois nasça outro dia.

o meu lema é gentileza

eu afasto de minha natureza
a violência que me acompanha
o egoísmo sem sutileza
e a falsidade que te estranha

eu aproximo carinho e beleza
o sentimento que pedem pra não ter
o choro sensível e a tristeza
não escondo mais quem posso ser

hoje eu caminho sem amarras
mesmo que ainda me segurem
parto para a vida em etapas
aceitando que me cuidem

hoje eu sinto paz e encanto
mesmo que ainda falte muito
sigo eu mesmo e no adianto
mostrando que sou isso tudo

tudo que eu queria ser
tudo que eu quis apagar
tudo que eu aprendi viver
tudo que eu vi mudar
tudo que vocês admiram
tudo que vocês gostam
tudo que vocês inspiram
tudo que vocês apostam

eu sou e serei mais
eu vou e trago paz

na dúvida ou na certeza
sigo firme num propósito
o meu lema é gentileza
o amor é por meu próximo

e por mim, finalmente!

gold

in the cold i’m horny
eloquent and hungry
sentimental and a bit lonely
but always funny

i just want the smile
that i get when i see you
i admire your style
and all you’ve been through

in the cold i’m happy
but if is warmer, its more
if you know, don’t ask me
this is what you’re looking for

i just want your smile
when i create a joke
hope it last for a while
and i guess that’s love

in the cold, i write
in the mind, i fold
in the sleep, i bite
in the heart is gold

if you’re feeling sinister…

“…go off and see a Minister
he’ll try in vain to take way
the pain of being a hopeless unbeliever”

o mundo é meu.
faço dele o que bem entender.
com conceito estabelecido, quero continuar.
mas não antes sem perguntar:
e se eu não entender?
o que eu faço?
não faço?
não.
sim!
louco é o ser que quer compreender tudo.
algo há de ter sentido.
ao menos um significado.
um.
eu escrevo meus capítulos, às vezes em minha mente, às vezes no papel da vida real.
não peco pela arrogância de querer ter o controle da narrativa.
fica até mais, risos, divertido quando não é tudo preto-no-branco.
um desvio inesperado é parte do imprevisto aceitável.
o contorno do obstáculo é quase tão certo quanto respirar.
o estagnar não.
o estagnar eu não imaginava.
não queria.
não quero.
a palavra não deseja sair.
a história não quer continuar.
os fatos se repetem, como fosse uma cena em câmera lenta.
você está ali.
vendo acontecer.
olha para outro ângulo e retorna.
e está ali, ainda acontecendo.
e acontece.
tudo acontece demais.
e de novo.
e é bom.
é bom?
é.
mas eu tenho tanto trabalho pela frente.
tanta dança pra dançar.
tanto par a tentar.
tento ir lá para não voltar.
tonto, logo quero ficar.
e ver passar.
de novo.
e de novo.
até se acabar.
em mim.

sobre a beleza que se pode ver

“you are music to my eyes”

Demoro a te observar, faço de propósito porque não quero perder nenhum detalhe, tanto os que você não gosta quanto os que eu adoro. Executo com paciência a admiração pois é fácil me perder, o coração dispara sem que eu tenha tempo de controlá-lo. Busco não parecer obcecado, vidrado, apaixonado, impaciente, precipitado, devoto e tudo mais que claramente já sou. Outro dia me peguei a pensar que uma beleza assim precisa ser cantada, contada, revelada, escrita e perpetuada. Raramente me sinto desta forma, como se a única coisa que me importasse fosse te ver, sem que haja qualquer possibilidade de semelhança ou paródia. Agora mesmo fecho os olhos e consigo te descrever, do sorriso largo à piscadela sem intenção, como quem pensou brincadeira ou safadeza.

Procuro o elogio: ele é natural para mim, quase como se não existisse motivo para dizer outra coisa, quem sabe até para viver outra coisa. Ignoro o exagero, claramente estou são e acordado, mesmo que pareça sonho este encontro tão vívido. Nada parece me aborrecer quando te vejo, a risada que sai de ti é meu único objetivo e por ele eu vivo. Honesto, sigo contigo, querendo estar presente até no próximo lamento, na expressão de desencanto ou na preocupação. Externo agora o meu sentido, porque é isso que vejo e que explico, uma beleza incontida, como jamais vista e vivida. Impossível mudar de pensamento, é como querer controlar o vento ou outra força de natureza que nos inunda com um comando por desejo. Rio porque estou certo que é imerecido e que tão pouco será repetido, logo, faço de tudo para que seja infinito, guardado a sete(centas) chaves dentro de mim. Ouço o bater que embala essa emoção generalizada, vem do peito como quem quer aproveitar cada segundo em que eu posso olhar para ti e você me olhar de volta.

Respira

Tudo acontece demais.
Então respira.
Que diferença faz buscar aquele ar.
Os 10 segundos de peito subindo e baixando.
Seja ele vazio ou cheio.
Quebrado ou por inteiro.
Só respira.
Respira porque ninguém sabe de nada enquanto todo mundo sabe de tudo.
Ninguém e todo mundo nunca irão se entender. Aceita.
E respira.
Não faz mal.
Inclusive, faz bem. Só respira quem está vivo.
E viva!
Se vier o medo, vai com medo. Se vier a coragem, vai em dobro.
Só vai. Mesmo que ir signifique parar.
E respira.
Não prende a respiração, não. Sem fôlego não se chega a lugar algum.
E este lugar pode ser qualquer um.
Se não tiver mapa, o caminho é feito na hora.
Navegar é preciso, mas não precisa se apressar.
Vai devagar.
Escolhe esperar.
Para.
E.
Respira.
Mas se sentir vontade, não hesita.
Sentir anda em falta. E anda sempre junto da felicidade.
Felicidade é sentir.
Só sente quem está vivo.
E quem respira.