válvula de escape

all my life
being ready for you all my life
being waitin’ for you all my life
all my life
you’ll be missing all my life

por definição de uso, ela serve para expelir gases emitidos após combustível e mistura de ar se inflamarem no motor. não existisse, explosão. simples assim. baita função essa da válvula de escape.

e também uma poderosa fonte metafórica.

costuma-se usar para situações não mecânicas, onde tudo que se quer é a mudança de padrão, é fugir, é escapar. do quê? vai de cada um. de quem? ainda mais explicação.

tal peça, no entanto, é desvalorizada. vem no pacote. ninguém compra carro sem. ninguém fabrica sem. não tem porque lembrar.

mas se o veículo não duraria mais do que algumas aceleradas sem ela, a gente costuma durar mais. talvez porque a nossa válvula não está na cabeça do cilindro. talvez porque a gente nem saiba onde ela está. se ela está. nem sabe que precisa. se precisa.

demando certa paciência para compreensão. minha principalmente. essa peça me faz falta. falta ainda decidir se para o bem ou para o mal.

não quero me sentir preso. não de novo. a prisão invisível é ainda mais cruel. é interna. nos adormece e para estar vivo sem viver é um pulo.

nunca mais.

o problema é essa válvula, esse escape, essa peça, ser requisitada via formulário do medo. do medo de estar funcionando sem. fugir para quê? escapar do quê?

é só pela possibilidade, saca? ter lugar para ir.

aí você cria válvulas, imagina situações, critica, ignora, acha ruim, analisa, acha mesmo ruim, desobedece, teima, julga, pensa, repensa, chora, cobra, esquece, finge que esquece, lembra e não dorme.

e escreve? escreve sim.

descobri hoje que a válvula também impede a entrada de resíduos no motor. ela bloqueia. ela é mais saudável do que parece. pode ter características de continuidade, de proteção, de cuidado.

que coisinha mais engenhosinha essa tal de válvula, né. um agradinho divino. e ainda serve como metáfora e título de post.

 

todo dia

todo dia ele acha bem desigual
não acorda tão cedo de manhã
sorri um otimismo quase viral
e julga a labuta sempre vã

A paródia é pobre tal qual o espírito. Que não era assim, mas voltou a ser. A questão é o dia presente, que insiste em repetir. É o que poderia ter sido, apesar de não prometido. Só iludido. Me iludido. Mas quem manda ser crente. É falha de caráter. Quem sabe faz ao vivo, não espera acontecer.

Eu não acreditava nisso. Pensava no complemento como forma de recompensa. De pensar no coletivo. De dividir por partes. Só que é cada um por si.Sempre foi e sempre será.

Aí dói. Dói cada movimento ao contrário. É mais que remar contra a maré. Porque o mar já secou. O remo já quebrou. Não há barco, não há nada. É o estagnar.

Talvez nos querem assim. Parados. Logo hoje que resolvi mudar.

Não vencerão!

(Perdão pela mentira final)

promessas

estava bem claro o que estava combinado.
estava ali.
e também não estava.
entrava bem fácil se feito o determinado.
entrava aqui.
mas aí, entrava.
escava bem fundo pra enterrar direito.
escava assim.
vai que escapa.
entende bem para deixar de ser confuso.
entende sim.
depois estende.
estende as mãos para o que te espera.
espera tudo e depois se esmera.
espelha o outro em você e se entrega.
entrega e se faz estrela.
estreia!
estreia a vida que te afasta o estreito.
exprima o sentimento.
o que te espreita.
extraia a desvantagem de nada dar certo.
esquece o que não aquece.
esperto!
enlata o que não faz falta.
joga pra vencer, não empata.
nem se mata.
eleva!
encobre o que não cumpre, mas promete.
promete e entrega.
volte onde estava.
se melhorar, não estraga.
então, aproveita.

Directions

Você parte de um ponto.
Ou não parte.
Ainda não.
Deste lugar de agora há algumas opções que a visão enxerga.
Pra frente e pra trás.
Pra cima e pra baixo.
Pra esquerda e pra direita.
Vamos só com essas seis por enquanto, mas dividindo.
De um lado temos: cima, esquerda e frente.
Do outro: baixo, direita e trás.
Só pela nomenclatura das direções dá pra ter uma avaliação do que é melhor.
Mas será assim mesmo?
Sem saber, fica estático.
Pensa-se em sambar.
Dar um pulo aqui, outro acolá.
Ver o lado que te agrada mais.
Vê se te faz feliz o pular ou o agachar.
O seguir ou o voltar.
A verdade é que a decisão pela locomoção te afasta de um dos caminhos.
Das outras três direções.
Pelo menos nesse exemplo.
Aí você não parte de um ponto.
Fica ali parado.
É.
Seja você a direção de outro.
Melhor.

sobre abraçar a tristeza

…como parte de um processo. De um modo inverso de enxergar o que sempre esteve aqui. De louvar o que se desacredita como parte primordial de viver. Se entristecer. Lamentar o equívoco é tão parte do errar quanto aprender com ele.

A tristeza nos racionaliza quando em justa proporção. Nada que é demais contribui. A alegria nos entorpece. A sensação é melhor, mas a consequência, diversas vezes, é invisível. Irreal. Talvez por isso a lágrima cria mais que o sorriso.

E como é difícil largar a alegria! Ou o modo alegre de levar as coisas. Ele parece tão mais simples, tão sem problemas, tão fácil. A tristeza nos bota a pensar. A perceber que nada está como deveria. Ou poderia. Ou se queria.

Mas é nesse invólucro de incerteza, ausência e fraqueza que elaboramos as melhores saídas. A estratégia concreta. Não o oba-oba do vamo em frente que atrás vem gente. Atrás não vem ninguém, assim como na frente não se vai. Estamos nós aqui. E nós que sou eu. Você. Quem quer que seja. Individualmente uma só mente.

A vida é esta que me apresentaram. Não há porque me privar de sentir todas as suas fases. De assumir seu lado que mais me seduz. Me molda. Me ajuda a pensar. Realismo é pessimismo. É? Já não quero mais ver assim.

Déjà vu(s)

Eu vou fazer o que já fiz
O que eu quis
Eu vou é sumir

Não leve a mal o que condiz
Nem se faça juiz
Eu vou é sair

Foi por pouco, por um triz
De ponta de nariz
Eu vou é fugir

A culpa é minha, vem, me diz
Estes meus tais planos vis
Eu vou é seguir

Serei mais outro, tão infeliz
Mas sozinho desde a raiz
Eu vou é cair

Te fiz pouco, me pediu bis
Eu sou planeta, você país
Eu vou é partir

Repito o conto, mudou a atriz
Me faço mestre, sou aprendiz
Eu vou é mentir

O corte é seco, sem chamariz
Pra não ficar nem cicatriz
Eu vou é banir

O que nem era, eu já desfiz
Tentando assim, atos gentis
Que nada servem, de tão sutis
Que nada explicam, de tão hostis
Seja mim, seja pra ti(s)

Eu vou é ruir

la vie en questã

do alto do prédio mais alto veio a solução. não resolve e nem será do só pensar também. solucionado está a vontade de escrever sobre o incompleto. finalizar parecia próspero e certeiro. mas é tanta resposta a dar que nem lembro a pergunta. mas a questão da posse me atormenta.

o que há de ser, será?

não importa o tempo. o que nunca foi escrito para ti, nunca lerás. composto para outros, não ouvirás. 

o desejo te coloca na confusão de duvidar do destino ou aceitar a condição. 

e assim, será?

acontece que a gente se farta de aceitar. quer escolher. definir que o assim, será.

para simplificar, alternativas se formam. alternam sentimentos a prestações. não quero mais. podia ser. se for, será? 

e se já é, era pra ser? falta apenas aceitar. 

com otimismo: perceber. finalmente ver. enxergar. com tudo. por dentro e por fora. e, aí, sorrir.

e pode faltar só isso. pra mim. e pra vc. sobre mim. e sobre você.

a ver.