tem alguém preso aí

querendo sair
pra deixar de não-viver
pra fazer acontecer
e finalmente sorrir
tem alguém
aí ou aqui
sempre tem
que se anima com a nova ideia
com a mudança a imaginar
e o plano a se mudar
tem sempre alguém
aqui ou ali
que vai se acanhar
quando a barreira surgir
e ela surge
interna e eterna
impede o nascer
impede o sonhar
de ser
e a gente nem se desculpa
a gente só quer fazer
nem que não dê
parece pouco
consolo e estorvo
mas antes isso que morto
pensamento torto
absorto e envolto
em luto e não luta
em susto e culpa
eita prisão eficaz
solitária sem paz
até que surja
alguém ali
ou aqui
dentro, sempre dentro
esperando o momento
de te libertar
de se libertar
vai acontecer
faça acontecer
tem sempre alguém aí

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o próximo capítulo

passam as páginas diárias, vamos escrevendo.

a história não para. ou melhor, para uma vez só. mas só de ser escrita, nunca de ser contada ou lida. se a gente tiver sorte de ser especial para alguém.

o começo não se percebe, escrevem por nós. nem sabemos que somos parte de qualquer enredo ou trama. não diferenciamos comédia ou drama. confiamos que vão nos registrar.

registram. até que a caneta, a pena, o lápis, a máquina, o teclado, ou a forma que nos repassam fica somente em nossas mãos.

vocês já começaram a contar uma história? sabe aquela ideia genial que você jura que ninguém teve? aquela emoção de querer ver completa, de contar tudo, de fazer sentido?

se já, você vai entender que não é assim que funciona. o texto se atropela, a ideia não combina, as voltas não se encaixam e a gente mais confunde que se explica. frusta, mas de certa forma é divertido praticar.

não esperam tanto da gente nessa fase, ou pelo menos não deveriam esperar.

a maturidade não avisa quando vai chegar. e SE vai chegar.

porque, afinal, ela sempre esteve ali, com você, só nunca teve o espaço que precisa para se desenvolver e te ajudar a prever a próxima frase sem que ela mate o sentido da anterior.

esse florescer do autor é incrível porque age de forma diferente em cada um. e igual também. será?

as páginas anteriores não se apagam, não se rasgam, não se esquece. o descrito foi vivido, é parte da sua história. o que conta, para o agora, é o que vem por aí.

o papel sempre acorda em branco, por mais que a gente guarde um rascunho, uma anotação de soslaio, uma epifania que pode vir a se desenvolver.

não adianta não agir. não escrever também é contar história.

e, às vezes, escrever não é viver a história.

é imaginar. é desejar. é querer. mais ou menos.

quando eu descobri o poder que tenho ao escrever minha história tive euforia. é como uma libertação do famigerado destino. eu controlo. ufa.

e depois me acalmei. talvez até demais. minha história haveria de ser um marasmo? talvez. talvez? jamais!

o livro é bem cru, não corta partes explícitas, o personagem não é mocinho e nem bandido. ele é mais que isso. ele é real. ele sou eu. seja ele eu.

e meu próximo capítulo, qual será? será o final? espero que não, gosto, apesar do desempenho, de estar vivo. para não errar (mais), eu pratico. pratico bastante.

escrevo capítulos à parte quase diariamente. sempre relendo, revisando, acrescentando e subtraindo. essa matemática de palavras não resulta em nada exato. por enquanto.

os personagens variam. os cenários. as falas. os sentimentos. alguns não mostram caminho para ganharem vida. e ela me ensinou que não é bom ficar revirando nesses daí. deixa a notícia te encontrar.

eles nunca são final. seja feliz ou triste. eles são apenas as próximas páginas. podem se encaixar e não durar mais do que alguns parágrafos ou podem dobrar o tamanho da obra.

são esses que me interessam mais. sempre me interessaram, na verdade e de verdade.

seu capítulo eu leio todo dia. no mar de outros, ele tem repouso no meu porto. tenho alguns preferidos, mas o seu é especial. é o próximo. ou pelo menos, o que eu quero colocar no papel.

os outros vão ganhando e perdendo importância. alguns nem toco mais.

já o seu, ah, o seu eu busco aperfeiçoar todo dia. todo dia.

espero que te leiam em mim.

Lord knows it will be the first time.

uma reputação a zerar

quando o espelho faz seu trabalho ele entrega parte do que se busca. o reflexo não é completo porque ele é alvo de apenas um olhar. o nosso. o meu, no caso.

esse olhar pode se viciar em uma situação nada improvável: a rotina. a rotina cansa e entedia e facilmente nos traga. nos absorve. mas não sem um preço.

nos mina o poder de autoavaliação e a gente se perde.

se esquece de como é ser a gente mesmo.

é bom mudar, evoluir, mas sem saber o que isto gerou, o resultado pode ser catastrófico, aos dramáticos, e inesperado, para os que fazem bom uso da razão.

aí a gente se pega fazendo coisas que nunca foram de nosso feitio. pelo contrário, eram parte do oposto que repelíamos. e vamos nos convencendo com os famosos: “tudo tem uma primeira vez”, “quem nunca?”, “mas é só dessa vez”, “mas todo mundo é assim”, “eu juro que não faço mais”, “bom, mudei, faz parte”, “sou assim mesmo”, “se não gostou, não me merece” etc.

não há só erros, não quero pintar um quadro tenebroso. a tempestade tem trovoadas, mas não durou a noite toda.

no entanto, cada raio que nos atinge muda alguma coisa que pode nunca mais voltar a ser como era. e essa é a batalha.

a minha batalha.

se o espelho trabalha para mim. meu reflexo trabalha para o resto do mundo. a imagem que passo afeta diretamente a forma como as pessoas lidam comigo. por isso, vou me importar com o que passo adiante. e corrigir o(s) (muitos) desvio(s) do caminho de quem realmente sou e quero ser.

eu me lembrei disso.
eu me toquei do que estava errado.
eu me envergonhei.
eu me escondi de mim mesmo.
eu me orgulhei em parte.
eu me parabenizei pelo pouco acerto.
eu me critiquei.
eu me puni.
eu me lembrei de novo.
eu não vou mais esquecer.
porque, literalmente, minha vida depende disso.

eu gosto do cara que eu quero voltar a ser. vocês também vão gostar.

eu só queria estar perto

justo quando parecia preciso
aconteceu um imprevisto
e você partiu
bem quando eu só queria ficar perto
sem muito mais a fazer
só estar ali
certo
de que é assim que deve ser

preciso que seja mais justo
para me sentir bem quisto
mas você sumiu
assim que parecia estar certo
só ficar ali
perto
de quem eu gostaria de ter

ajusto o que se mostrou impreciso
para lembrar que existo
e você fugiu
mas agora sou mais esperto
vou partir daqui
aberto
para quem quiser me ver

 

O reinício do que não acabou (e não acabará?)

É óbvio que não se fez só de tristezas, decepções, frustrações, desistências, mazelas, ódio, discussões, angústia, ansiedade, doença, inimizade, desespero, desalento, desgraçamento mental, futilidade, solidão e desprezo.

Teve amor, carinho, amizade, lealdade e compaixão também.

Mas menos.

Bem menos.

2018 acaba hoje e eu já escrevi aqui que é uma bobeira culpar anos ou depositar esperança neles.

Isso de tudo mudar dia 31 de dezembro é conto de fadas de adulto.

Mas eu escolhi acreditar.

Preciso.

Nunca é fácil, é claro, mas esse período que acaba hoje testou tudo que podia em mim, me abalou e me acabou.

Sempre por um triz, sempre quase lá, sempre agora vai, sempre o tava na cara que não.

Mas não tava. É isso machuca mais.

E meu grande ato de bravura será acreditar em 2019.

Mesmo que tudo caminhe contra. Corra contra. Pise contra.

Sem essa fé, não vai ser possível.

Assim seja.

Feliz 2019.

talvez

talvez seja muito
o pedido que eu faço
pra ser como nunca é
sem medir tempo e espaço

talvez sem importância
seja a palavra escolhida
com carinho pensada
pra passar despercebida

talvez eu sinta falta
do que apenas desejo ter
desconhecido e inviável
me vem a posse e não o ser

talvez seja caminho
não o destino que eu traço
já que não é falta de fé
devo sofrer outro embaraço

talvez sem a distância
dá pra ter uma outra vida
amorosa e confortável
que não quer ser esquecida

talvez eu queira minha vez
de ser querido igual você
busco tanto ser sentido
e só me falta o que não se vê

lua de sangue

Captura de Tela 2018-07-27 às 17.15.53
hoje o dia é especial.
nem sei explicar o fenômeno.
muito menos sua especialidade.
de qualquer forma, comecei o dia ouvindo um áudio que explicava que o eclipse lunar de hoje era muito raro.
ainda mais combinado da famigerada lua de sangue.
pra entender como isso acontece é só dar um google. tá fácil de achar.
a questão é sobre o áudio e como fiquei pensando nele o dia todo.
ele dizia que a carga de energia era muito forte durante o evento importante de hoje. algo, digamos, marcante.
e mais: poderoso.
a mensagem era simples: “foque naquilo que você quer conquistar, foque nos seus desejos. pense positivo sobre eles. dê força para que eles se cumpram”.
mas aí me veio: quais desejos?
o que, afinal, eu quero?
e outra coisa, ainda mais importante, o que eu deveria pedir?
já falei sobre isso aqui no mundo: o desejo é importante.
mas não se pode ser refém dele.
não seja escravo de sua vontade.
sua liberdade depende disso.
e a verdade é que sei o que pedir.
fecho os olhos e vejo.
penso e desisto.
avalio e escolho outras coisas.
resolver outras questões.
decido desejar saber.
de mim.
abençoa, lua de sangue.
se faça verdade.