em quem eu penso

quando saio de casa
eu penso em você
quando me ponho a beber
eu penso em você
quando a música toca
eu penso em você
quando a letra faz pensar
eu vejo você
quanto estou em casa
eu penso em você
quando estou sozinho
eu penso em você
e quando estou com outro alguém
eu penso em você
eu tento ir viver
mas vejo você
e vou tentar dormir
mas penso em você
eu tento fugir
mas penso em você
e vejo a vida que quero ter
e lá está você
eu já não sei mais o que fazer
que não seja você

O que eu espero

Eu quase escrevi este post sob a influência da melancolia de Natal. Resolvi esperar o que os derradeiros dias de 2020 ainda me aguardavam.

E valeu a pena.

Um ano lento e rápido, triste e feliz, junto e solitário. Contraditório. Cansativo. Único.

Minha vida mudou como nunca antes. Virei pai, caras. E uma nova contagem se iniciou a partir de 11 de novembro de 2020. E o mundo está mais devagar.

No fim de 2019 eu tinha uns planos, metas para este ano. Nada se concretizou. E como nos ensinou Parasita, não se deve fazer planos nesta vida.

E o não planejado foi bem vindo e, mais do que isso, se mostrou necessário. Como se as peças estivessem se encaixando de alguma forma. E mesmo fora de script, eu deixei acontecer.

Ainda bem.

Faltam alguns encaixes. Uma estabilidade financeira real, um novo lar com toda a minha cara, o coração conseguindo aquela chance, o corpo em melhor estado e a mente produtiva.

Vai acontecer.

Eu espero 2021 com otimismo. E se você me conhece, sabe que otimismo é meu forte, mas desta feita é diferente. Tenho base. Tenho apoio. Tenho amor.

Quero todos comigo.

También sangra sin dolor

Puedo escribir los versos más tristes esta noche

nenhum caminho é infinito
todos voltam ao mesmo lugar
a vida se repete
mas é possível mudar
o destino
o trajeto
quem irá te acompanhar

nem toda dor é sentida
mesmo que só faça sangrar
a ferida é invisível
e nada faz estancar
nem sorriso
nem afeto
ninguém irá te poupar

mais um amor vai fugido
nunca nem quis ficar
o erro previsível
você tentou se enganar
era amigo
era certo
porém vai acabar

nenhum lugar tem sentido
se você não deve estar
a ausência reflete
quem decidiu não ficar
um abrigo
um aperto
alguém vem te buscar


guerra e paz e guerra

Yeah, well I’ve been here before
Sat on a floor
In a gray gray mood
Where I stay up all night
And all that I write
Is a gray gray tune

a guerra se inicia outra vez
interna e explícita
não é a inédita também
o terreno é conhecido
e não há bandeira branca
não hoje
não se quer paz
se quer luta
e aí tudo se emperra
lutar contra quem?
por quem?
pelo quê?
pensamentos se atacam
fogem e se atormentam
se confundem e se conquistam
morrem
pois se cansam de existir
a guerra é repetitiva
mesmo que seja única em cada dia
a munição não varia
e é tudo muito triste
não há beleza
não há certeza
só dor e agonia
ansiedade e antipatia
e quando acaba
tudo se resume a pó
destroçado
desolado
abandonado

sempre só
sempre a desmoronar
e tendo que se levantar
após o cessar fogo
recolher os cacos
recomeçar de novo
acertar o ponteiro
retomar o caminho
talvez sozinho
sendo meu amigo
respirando
um dia de cada vez
um plano de cada vez
uma vida de paz
isso, faz sentido
remonta
reconta
se comporta
perdoa
se perdoa
sorri porque faz bem
acredita porque é bom
sente porque está vivo
e se entrega
e sonha
e deseja
e quer
decide e vai
confia que dá
confia que vem
um dia vem
ah, mas vem
um dia
vem!
vem…
vem?
será?
alguém?
mais ninguém?
ninguém…
que assim seja
então amém
e a guerra se inicia outra vez

Bonito demais

O pensamento está sempre ali.
É tipo um segundo plano de minha mente.
Mesmo quando eu não quero pensar, eu penso.
Roda no automático.
E ele ativa a saudade.
Ativa o desejo.
E ativa a lembrança.
E eu lembro.
De tudo.
Do beijo.
Do cheiro.
Do sorriso.
Do brilho.
Do umbigo.
Do gemido.
Do abraço.
Do carinho.
Do jeito.
Do toque.
Do acontecido.
Porque aconteceu.
E aconteceu assim:
O dia começou como todos os outros. Na verdade, diferente. Eu fiz um outro caminho, cheguei num lugar novo. Eu entrei e nem sabia o que encontrar.  Aí veio aquele momento. Que na hora eu nem percebi, mas que hoje faz sentido. Um momento daqueles em câmera lenta. Um esticar de cabeça. Um encontro de olhar. Um sorriso tímido.
Ali você me tinha.
Ali eu já era seu e nem sabia.
E quando a gente pensa sobre amor é sempre sobre o que ele faz com a gente.
Mas o amor é o que a gente faz pelo outro.
Com o outro.
É como a gente se sente quando está perto.
E que por isso, e só por isso, somos melhores.
E a melhoria aqui não é aquela clichê que não se sabe explicar.
É real.
Eu quero te fazer sorrir.
Eu quero te deixar tranquila.
Eu quero que você não chore.
Eu quero isso todo dia.
Eu quero que você se encontre.
Eu quero ver o seu potencial.
Eu quero que você acredite.
Eu quero que você pense igual.
E é como eu me sinto quando faço algo por você que vale a pena.
É como eu me vejo quando um gesto meu muda o seu humor.
E também é por isso que eu quero mais.
Já que as outras coisas perdem o sentido.
Ou a direção.
É o meu compromisso.
Porque eu queria que você fosse o que eu respiro,
o que eu devoro e tenho ouvido,
fosse o que tivesse sentido.
Amar é encontrar no outro o eu que era desconhecido.
É perceber que dá para ser mais, melhor e destemido.
Que se você precisar, estarei contigo.
Garantido que não vai faltar sorriso.
E eu só desejo que você se sinta assim também.
Vai ser tão, mas tão bonito.

Os sims das questões

No primeiro episódio de High Fidelity me bateu uma ideia. Não totalmente original, claro, foi a fala da personagem principal (Robyn) que gerou o estalo.

“O que você faria se o mundo fosse acabar em 24h?”

O seriado não é sobre eventos apocalípticos. Pelo menos nada indica isso até agora. Foi como uma pergunta de fim de capítulo, conversa de encerramento.

E não é que a resposta me surpreendeu, minina?

“Eu passaria uma hora no telefone com minha família e amigos pedindo mil desculpas porque iria passar as próximas 23 horas com o McCormack”

Robyn criou essa provocação para confessar como se sentia em relação ao ex namorado.

Pensei no quanto aquele sentimento ficou explícito. Aquele desejo de estar com alguém acima de qualquer outra pessoa. Principalmente nesse momento derradeiramente único. Seria essa a grande sorte da vida? Seria essa a questão a ser buscada e respondida? Ou seriam questões?

Pensei em quão feliz estaria alguém que pudesse responder positivamente as duas questões derivadas da situação original:

1) Você tem alguém com quem deseja passar as últimas 23 horas da aventura humana na Terra?

e, se sim:

2) Essa pessoa também te escolheria para o season finale do planeta?

Percebe a pegadinha? Só se responde a segunda se existir resposta positiva para a primeira. E te pergunto, se depois vier um não, valeu a pena ter começado com um sim? Este ‘jogo’ não é para os fracos, mas sua ‘vitória’ recompensa demais. Dizem.

Você pode até dizer: “mas isto é simplista demais”. Eu não irei ouvir porque minha audição já não é das melhores e você nem mora tão perto assim, seja você quem for. Mas eu, num exercício de imaginação que me favorece muito porque assim eu continuo o texto da forma como estava prevendo, te respondo: “e o segredo da vida não está nas coisas simples?”

Você ficará sem uma resposta imediata e a refletir se não tenho certa razão. Sim, minha imaginação joga muito comigo. Mas antes da infértil discussão sobre certo e errado se alongar, quero te pedir para fazer esse exercício e aceitar comigo essa hipótese.

Vale deixar claro que essa situação não precisa ser necessariamente uma história de amor erótica (proveniente do conceito grego de amor Eros, que é o amor mais ‘comum’, o romântico entre casais – seja qual for sua configuração). Você pode também escolher seu pai, sua mãe, seu irmão, sua melhor amiga, seu filho, quem quer que seja ou desejas.

A única regra é: a pessoa da primeira resposta precisa ser a mesma pessoa da segunda pergunta.

Você pode incluir mais de uma pessoa na primeira devolutiva, claro, não serei eu quem irá te limitar, mas entenda que a segunda questão ficará mais complexa. Todas as pessoas envolvidas na sua escolha precisam escolher todas as pessoas envolvidas na escolha inicial. Sim, eu falei que era complexo.

“Mas o que você quer dizer sobre isso?” Eu sei lá, bicho. Tá cheio de pergunta também, hein.

Eu só pensei nisso. Em como a gente, em diversos momentos da vida, tem a resposta para a questão 1 na ponta da língua e como isso é, de certa maneira, mas sem estudo científico, inversamente proporcional ao número de vezes em que temos a resposta certa da questão 2.

É triste. Melhor, é difícil. Mas tá de boa, se a vida fosse fácil chamava me dar selinho depois de dois Camparis.

O fazer morrer

O choro é o primeiro ato.
Único e ímpar.
Vai ver é porque morrer é triste.
Ou deveria ser.
O que não se entende é que a primeira coisa que fazemos ao nascer é chorar por começarmos a morrer.
Pois tudo é morte, tudo é fazer morrer.
Mesmo que aos pouquinhos, em partes cruéis, dias monótonos de tão saudáveis, não se engane, você está morrendo.
Pode ser hoje, amanhã, daqui 50 anos.
Mas você está morrendo.

Aí você chora quando nasce, grita, esperneia mesmo, e te dão um tapa no pequeno traseiro. Uma forcinha para o fim inevitável.
Passa um tempo e você cresce e, veja você, continua morrendo.
O fazer morrer é incessante.
Ou melhor, só acaba quando termina.
Eu questiono a vida, pois ela é toda morte.
Não importa se você está tomando banho, curtindo uma festa ou apanhando na rua, está morrendo do mesmo jeito.
Todos estamos.

Então para que dar nota ao viver?
Porque viver é bom, apesar de ser só morrer.
O viver deveria ser o sair do útero de sua mãe.
Aquele preciso ato, pois depois é só morte.
Mórbido, eu sei.
Mas tudo é morbidez.
Enquanto digito esse texto, sinto-me morrer, um pouquinho a cada letra… a cada ponto.
É loucura pensar nisso, pois até quando paro de teclar para pensar na próxima palavra eu estou morrendo.
Eu não paro de morrer!
Deve ser uma doença.

(29/08/08)

Eu no aniversário

Neste momento eu já completei 35 anos. Oficialmente, eu chorei pela primeira vez às 5h50 desta mesma data em 1985, mas eu já era vivo, só não tinha nascido.

A vida aqui é esquisita e complexa. Não me faltam novidades, conselhos, ideias e sonhos. Também não faltam saudade, tristeza, apreensão e dúvida.

Busco o equilíbrio, mas me sinto bem. Triste, mas bem. Pelo menos não estou perdido. Não muito.

A vida apresenta possibilidades e eu vou sem pressa. Deveria ter? Talvez. Faço o meu tempo e não é de hoje que faço disso uma questão.

Sinto muito amor e muita capacidade de amar e isso me deixa feliz.

Vejo o carinho de quem me ama e não me prendo em quem não faz questão de mim. Tá tudo bem alguém não gostar de você.

Além disso, hoje penso muito mais em minhas palavras, sejam escritas ou faladas. Minha maturidade reside aí. E isso não é pouca coisa, apesar de ainda longe do suficiente. Seguirei.

Minha vida seria muito diferente se tudo que eu cheguei a imaginar tivesse virado realidade. E digo de coração que não sei se seria melhor. Ou pior.

Escuto melhor e analiso com mais ferramentas. Quero dar o bom conselho, ser o bom exemplo. Quero distribuir amor. Ser calmo e tranquilo, mas nunca tedioso. Quero ver o mundo e o vizinho, ser contido e grandioso. Quero que me vejam e me guiem, ser eu mesmo e ser o outro. Quero amar e ser amado, se possível ao mesmo tempo. Quero poupar e ser poupado, respeitar todo momento.

Quero ser feliz não só hoje, meu dia, mas sempre que possível ser parte de alguma alegria. E isso vai me bastar.

Obede Rocha Viana Junior

quando eu fecho os olhos, eu lembro.
de uma pessoa em especial.
eu.
recordo as noites mal dormidas, as palavras proferidas e não rebatidas.
a desconfiança. a repulsa. o afastamento.
eu lembro de tudo como se fosse ontem.
como se fosse hoje.
mas nunca como se fosse o amanhã.
porque eu também lembro do que eu fiz.
de como eu fiz: de cada dia de uma vez, de um passo de cada vez.
respirando sempre nos intervalos.
fazendo a minha e ficando na minha.
toda hora.
todo dia.
deu e ainda dá trabalho.
mas depois de anos de turbulência, eu consegui sair do piloto automático.
eu consegui deixar para trás tudo que eu não escolhia. tudo que me acompanhava sem ser minha companhia. tudo que me atrasava.
era muito.
era merecido? talvez.
era para sempre? jamais.
me sentia tão pouco. pequeno. inofensivo e ineficaz.
me sentia esquecido e desinteressante.
tudo isso por não acreditar.
em quem falava o contrário.
em quem me apoiava dizendo o necessário.
em quem sabia ouvir e aconselhar.
não se muda sozinho. não se cresce na solidão.
mesmo que eu conviva sempre só comigo,
eu soube ser meu amigo.
para ser amigo de vocês.
eu soube me amar.
para amar vocês.
e se hoje me sinto bem quisto, é porque foi conquista.
foi provar para mim mesmo o que eu sempre acreditei nos outros: é possível mudar.
é possível ser diferente.
é possível ser a beleza.
e o meu lema é gentileza.
e já não mais serei pequeno.
ou minúsculo.
Meu nome é Obede Rocha Viana Junior.
Fica à vontade porque eu tenho muita coisa para te contar.
E não vejo a hora de te escutar.

sobre coragem

abalou-se quando pensou
foi automático
no reflexo
mas quando viu
estava a desviar
do caminho
sem nexo
e parou
e voltou
pensar não tira pedaço
retomou seu espaço
lembrou do amor
do sexo
do sorriso e do abraço
do laço
e de tudo que só faz bem
e que vale a pena
e ficou
e pensou
e aprendeu que é assim
só vale assim
e vale
cada segundo
sonhar é tão bom
melhor que pensar
só perde para viver
e ser vivido também
seguimos
sem abalo
e fugimos além
pro nosso embalo
e abraço
e que a vida seja aí
amém